Amamentação: cuidados, desafios e benefícios do aleitamento materno


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Podemos dizer que a amamentação é a base da vida; todavia, ainda surgem muitas dúvidas acerca do aleitamento materno, porque as experiências em amamentar são diversas, e cada pessoa que as vivencia vai ter desafios e aprendizados diferentes. Por isso, vamos descobrir juntos um pouco mais sobre a amamentação. 

Apoie o aleitamento materno, por um planeta saudável! Esse é o mote da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2020 (#SMAM2020), promovida pela Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN), uma rede que atua para a melhoria da nutrição e saúde infantis. 

A amamentação traz benefícios de diversas naturezas, como emocionais, nutricionais, imunológicos, socioeconômicos e de desenvolvimento para o recém-nascido. A prática deve ser apoiada, divulgada e protegida, porque a amamentação é fundamental.

 

Relato de amamentação

A amamentação não é um processo fácil para todas as mamães, que podem passar por inúmeros sentimentos durante esse processo. Assim como Letícia Iambasso, mãe e consultora de amamentação, que relata ter passado por sentimentos muito conflitantes.

“O puerpério em si já é algo muito desconcertante e confuso, que, somado a problemas na amamentação e a problemas com o peso do bebê, mina a confiança de qualquer mulher. Eu me sentia muito insegura em relação a tudo, mesmo estudando muito sobre todo o processo de amamentação. Eu não sabia quem seguir, em quais profissionais poderia confiar, e sentia muita culpa por não concordar com as condutas dos profissionais com que eu passava e que eu acreditava serem os melhores profissionais”, relata Letícia, que teve complicações nos primeiros meses de amamentação.

Nesse processo, a participação de profissionais qualificados e que entendem e estão preparados para lidar com as demandas das mães é essencial.

 

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“Quando estou com ele no colo, amamentando, tão aconchegado, sinto tanto amor e prazer que tudo que passei valeu a pena para ter esses momentos. Eu passaria por tudo novamente se eu tivesse outro filho, mas dessa vez com mais experiência, mais calma e segura”, relata Letícia.

Inspirada por essa experiência e por ajudar outras mães nesse processo, Letícia decidiu abrir uma Consultoria de Amamentação. “Depois do que passei para conseguir amamentar meu filho, comecei a estudar sobre a amamentação. Comecei a ajudar outras mulheres, amigas próximas que me procuravam para tirar dúvidas. E comecei a gostar de ajudar e empoderar outras mulheres a ter o conhecimento necessário para amamentar. [...] Tenho o objetivo de ajudar o maior número de mulheres possível que possa encontrar pelo meu caminho”, afirma Letícia.

 

Benefícios do leite materno 

Vale dizer que o leite humano é a alimentação ideal para todas as crianças. Em razão de sua composição e de seus nutrientes, é considerado um alimento completo e suficiente para garantir o crescimento e o desenvolvimento saudável do bebê durante os primeiros 2 anos de vida. É de fácil e rápida digestão, e completamente assimilado pelo organismo infantil. 

Outras vantagens estão relacionadas à redução da mortalidade de crianças até 5 anos, menor número de infecções respiratórias e de diarreia, diminuição do risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão. 

A natureza é mesmo muito sábia nesse quesito, já que a mãe fornece ao filho componentes protetores por meio da placenta e do seu leite, enquanto o sistema de defesa da criança amadurece. Além disso, o vínculo mãe-filho é fortalecido e o desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso do pequeno é facilitado através desse processo.

De acordo com a professora Gabriela Chamusca, coordenadora do curso de Pós-Graduação EAD em Nutrição Materno-Infantil, pela Pós Estácio, esse é o primeiro passo para o descobrimento do mundo por parte do bebê. Segundo ela, o aleitamento materno “envolve carinho, dedicação e amor”.  

 

Dificuldades na amamentação

A professora Chamusca confirma que, embora se incentive a amamentação, nem sempre ela é tranquila, e a mãe, para ter sucesso, muitas vezes precisa da orientação de profissionais da saúde, como médicos, nutricionistas e enfermeiras, que desempenham um papel fundamental na indicação da prática e dos cuidados com o ato de amamentar.

Para a nutricionista, professora e coordenadora do curso de Pós Nutrição Pediátrica, Escolar e na Adolescência, Vanessa Coutinho, é impossível ignorar os sintomas e a dor provocada durante a amamentação, bem como sinais que indicam vermelhidão, mal-estar, inflamação e até febre ou calafrios. “Raramente o problema acomete as duas mamas ao mesmo tempo, e ocorre por leite represado nos ductos mamários ou em decorrência de lesões”, afirma. 

 

Como aliviar a dor na amamentação?

A caminhada das mães que se preparam para amamentar ao mesmo tempo que se preparam para a maternidade nem sempre é fácil. Muitas relatam a respeito da exaustiva e dolorosa jornada da amamentação. Porém, existem algumas alternativas para aliviar a dor durante o aleitamento.

Água quente?

Segundo Vanessa Coutinho, tomar um banho quente e massagear os seios não seria o correto, pois a água quente prejudica ainda mais a inflamação dos seios, se esse for o caso. O ideal seria o uso de gelo.

“A saída é, então, ordenhar naturalmente, ou com uso da bomba. Se necessário, usar um analgésico ou anti-inflamatório, lembrando que é o médico quem deve prescrever, principalmente se o problema for mastite bacteriana, que pede o uso do antibiótico”, adverte a professora. 

Laserterapia na amamentação 

Outra opção que pode ser indicada por um médico da área é o laser de baixa intensidade (LBI), que pode ser utilizado para ajudar na recuperação de muitas puérperas. 

A utilização do laser, seja na enfermagem, na medicina ou na fisioterapia, por exemplo, promove reparo dos tecidos, maior vascularização, controle das substâncias que provocam dores e desobstrui os ductos mamários, entre outros benefícios. Por isso, a laserterapia é utilizada também como instrumento terapêutico para ajudar na amamentação.

aleitamento materno e laserterapia

 

Vale lembrar que um profissional da saúde sempre deve ser acionado em casos de dor persistente, pois, dessa forma, os tratamentos mais adequados serão indicados, de acordo com as especificidades de cada pessoa.

 

Os profissionais da saúde e a amamentação

Segundo a OMS, o aleitamento materno exclusivo é recomendado para os bebês, em livre demanda, até o sexto mês de vida. E, ainda, reconhece e considera as 10 recomendações feitas pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), para orientar os profissionais da área da saúde:

Segundo o site do Ministério da Saúde, estes são os dez passos da IHAC:

1. Política de aleitamento materno escrita que seja transmitida às equipes de saúde.

2. Capacitar as equipes de saúde nas práticas para implementar a política.

3. Informar as gestantes sobre os benefícios e a prática da amamentação.

4. Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento.

5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos.

6. Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista.

7. Permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos, em todas as horas do dia.

8. Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda.

9. Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes.

10. Encaminhar as mães a grupos ou outros serviços de apoio à amamentação, após a alta.

Contudo, todos os profissionais que estão envolvidos nesse processo, como médicos, enfermeiros, nutricionistas e consultoras de amamentação, entre outros, são fundamentais para guiar e acompanhar as mulheres puérperas em fase de amamentação, o que exige uma enorme atenção, compreensão, delicadeza e conhecimento, ou seja, um atendimento humanizado.

 

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