Um dos maiores investidores mundiais em infraestrutura é sem dúvida a China, enquanto o Brasil vive a terceira onda de investimentos do país. O foco dos recursos chineses passou de matéria-prima no fim dos anos 90 e início do século XX, para a indústria a partir de 2005, e agora chega a dois setores estratégicos para a economia brasileira.

     O país é apontado como um dos mais experientes no setor- que foram o motor do forte crescimento chinês dos últimos anos -, o país asiático agora está de olho nas oportunidades nessa área aqui.

     Em agosto, a China Railway Eryuan Engineering Group Co (CREEC, na sigla em inglês) foi qualificada para desenvolver um estudo de viabilidade técnica para o trecho entre Sapezal (MT) e Porto Velho (RO) da ferrovia Transoceânica, cujo projeto é ligar o Brasil ao Pacífico.

     Tendo isso em vista, muitas empresas chinesas têm ido ao Brasil para conhecer a legislação, mas estão aguardando a realização dos leilões e licitações. O interesse do país é investir em ferrovias para atuar no Brasil, essa atuação iria desde o fornecimento de vagões e locomotivas a construção e administração de ferrovias.

     Essa parceria possibilitará ganho para ambas as partes, por um lado pelo investimento na área e também as vantagens de se ajudar a construir uma logística mais barata e eficiente no Brasil para o escoamento de produtos para a China.

     A percepção desse potencial de investimentos chineses na área de infraestrutura é tão grande que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) montou, há um ano, um escritório na China. A ideia é ajudar a buscar esses investidores e, ao mesmo tempo, explicar quais são as oportunidades hoje no país e o funcionamento do mercado brasileiro, além de funcionar como um elo entre as empresas brasileiras e chinesas.

     De acordo com dados fornecidos pelo escritório brasileiro em Pequim, o Brasil tem uma necessidade de quase US$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura e projetos urbanos. E essa necessidade é vista com bons olhos pelos investidores chineses.
A análise inicial de mercado é que a China é um investidor relativamente novo para o Brasil, mas esse fato não impede que exista aumento desses aportes, tendo em vista que a China acredita muito no potencial do país.


Fonte : O Globo – abril/2015