Isolamento e Economia são palavras rivais?


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A busca por eficiência e eficácia deve ser a premissa de qualquer gestor. Em momentos de turbulência, essa liderança deve mostrar que, apesar das dificuldades, as suas ações buscam resolver os problemas existentes e reduzir o impacto no nível de serviço prestado. Se uma das turbulências trata de uma pandemia, entra em cena o gestor público, responsável por apresentar um plano a fim de demonstrar quais são as suas intenções e expectativas.  Infelizmente, com o coronavírus isso não tem acontecido, o que fez inflar conflitos sobre as necessidades de isolamento social e a economia. 

Isolamento e economia são palavras rivais?

NÃO! NÃO SÃO PALAVRAS RIVAIS! Na verdade, as duas formam um objetivo que deveria ser buscado em qualquer sociedade:
ISOlamento + ecoNOMIA = ISONOMIA!
 
Nos últimos tempos, duas palavras têm concentrado muitas discussões sobre o quanto uma causa impacto na outra. O isolamento diz respeito à ação ou efeito de isolar, de separar dos demais. É o estado de uma coisa ou de uma pessoa isolada, privada do contato social¹.
 
Trata-se de uma ação que tem sido solicitada nos últimos dias pelos governantes. Entretanto, tal ato tem refletido em fechamento de empresas, redução de arrecadação de tributos e aumento do desemprego, dentre outros fatores, afetando a economia.
 
A economia pode ser definida como a ciência que analisa e estuda os mecanismos referentes à obtenção, à produção, ao consumo e à utilização dos bens materiais necessários à sobrevivência e ao bem-estar². Nesse sentido, há um trade off típico caracterizado:
 
Figura 1: Trade off: isolamento x economia
NECESSIDADE ECONÔMICA X NECESSIDADE DE ISOLAMENTO
Fonte: Adaptado pelo Autor
 
 
As duas vertentes, por serem importantes em um momento de pandemia, trouxe à tona uma discussão que transcende os aspectos médicos e econômicos envolvidos, revelando também uma vertente política, o que pode causar danos no curto, no médio e no longo prazo aos envolvidos. Mas, quem são esses envolvidos?
 
Nesse cenário, qualquer pessoa de uma nação é considerada parte interessada, logo, um envolvido. Não importa a vertente política, o impacto será sentido por todos, sem distinção. Nessa difícil necessidade de troca compensatória que é apresentada na Figura 1, há um princípio básico da Constituição, a ISONOMIA, definida como uma condição das pessoas que são governadas pelas mesmas leis; Igualdade; Em que há igualdade, ausência de diferenças³. O tema é tão importante que a Constituição tem um artigo para tratar dele.
 
De qualquer maneira, um país continental como o Brasil deve ser pensado de forma regional. As diferenças encontradas nas cinco regiões brasileiras corroboram a necessidade de propostas que possam entender cada cenário e, assim, direcionar as ações. Por sua vez, com 5.570 municípios, também parecem inviáveis propostas individuais. Dessa forma, não há dúvida de que o mais adequado é um agrupamento por circunvizinhança.
 
Esses milhares de municípios podem virar 236 cabeças de rota (principais cidades selecionadas dentro de um entorno predefinido), o que corresponde a 4,24% do total de cidades brasileiras. Entende-se que as ações realizadas para essas cidades devem ser refletidas nas cidades circunvizinhas, compreendendo a inter-relação entre elas. Por exemplo, uma cidade como Santa Maria de Jetibá, localizada no Espírito Santo, deve ter suas ações estendidas às cidades próximas a ela, desconsiderando apenas possíveis cabeças de rota que possam existir.
 
Ao se reduzir o número de cidades por meio das cabeças de rota, pressupõe-se que as ações se tornem mais efetivas. Com isso, é possível sugerir três pilares para aplicação dessas ações:
 
a) Sequenciamento da operação
Define-se o sequenciamento como o procedimento de cada cabeça de rota na busca de conhecer o seu cenário econômico e a necessidade de isolamento.
 
b) Análise das necessidades
Define-se como análise das necessidades o impacto de diversas áreas na gestão municipal. Nesse sentido, há uma variabilidade de importância geral e específica (considerando o coronavírus). 
 
Figura 2: Pirâmide de importância em gestão pública
sociedade
Fonte: Autor
 
c) Implementação e acompanhamento
O que não se mede, não se controla. O que não se controla, não é relevante! Com essa regra, os indicadores de desempenho são fontes de informações preciosas para as empresas e deveriam ser também para situações específicas como uma pandemia. Entretanto, os indicadores que são apresentados ainda parecem não entender duas realidades: visão econômica e visão saúde. Quando esses indicadores não se relacionam, criam uma sensação na população de falta de eficácia (ora pelas questões econômicas, ora pelas questões de saúde).
 
 
Por fim, os governantes precisam adotar medidas que possam contribuir para o retorno das atividades econômicas, sem permitir que o vírus se propague ainda mais. É uma difícil tarefa, mas possível de ser alcançada se percebermos alguns outros fatores nessa relação.
 
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¹Disponível em https://www.dicio.com.br/isolamento/. Acesso em 23/04/2020.
²Disponível em https://www.dicio.com.br/economia/. Acesso em 23/04/2020.
³Disponível em https://www.dicio.com.br/isonomia/. Acesso em 23/04/2020. 
 
 
*Artigo do professor Dr. João Carlos Barreto, docente dos cursos de especialização em Comércio Exterior, Engenharia de Produção e Gestão de Negócios da Pós Estácio.
 
 
 

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