O mercado de hoje está cada vez mais competitivo, empresas e colaboradores dedicam muito dinheiro e mão de obra para se manterem no topo no quesito vendas e lucratividade. Com a alta pressão por resultados dentro das empresas, procuramos o nosso especialista em liderança, Luiz Eduardo Gasparetto, professor dos cursos de Pós em Gestão. O objetivo era saber qual é o novo papel do líder perante a esse novo cenário empresarial.

Veja na íntegra o resultado dessa entrevista, que levará você ao novo conceito de liderança:

Pós Estácio – O líder é aquele que passa e inspira confiança, fazendo com que todo um grupo trabalhe junto em prol do objetivo da Empresa. A competitividade entre as empresas está cada vez mais alta e com isso as cobranças por parte dos Gestores também. Tendo em vista o cenário atual acima, como o líder pode cobrar e cativar ao mesmo tempo os seus colaboradores?

Gasparetto

Cobrar de maneira firme, mas dando ao pessoal a oportunidade de exercer o autocontrole. Cobrar resultados que foram definidos, sempre que possível, em conjunto com os liderados. E para cativar deve ser justo, tratar a todos de acordo com suas aptidões, capacidades e motivações, sabendo que não pode tratar todos da mesma maneira. Por isso deve ser um líder situacional. Avaliar o desempenho, corrigir, mostrar o caminho, ajudar o liderado a encontrar e caminhar por esse caminho.
Ele cativa os liderados quando os leva de onde estão para onde nunca estiveram.

Pós Estácio – Quem é e quais são as características do líder de hoje em dia?

Gasparetto

O líder de hoje é, principalmente, uma pessoa que gosta de gente, que sabe conquistá-las não por impor sua posição, mas sim por ser um profissional que está disposto a ajudar no crescimento profissional dos outros.
O líder de hoje é aquele que não forma seguidores, forma outros líderes. É isso que dá mais prazer ao líder do século XXI.

Para isso ele deve saber ser líder com as pessoas e com as diferenças individuais, entender e saber conviver com os jovens da chamada Geração Y, que estão se tornando maioria nas empresas, gostar de trabalhar com equipe, de enfrentar desafios. E, principalmente, atuar com ética todo o tempo.

Pós Estácio – Quais são as mudanças de liderar há  10 anos atrás e liderar hoje?

Gasparetto

A maior mudança é a maneira do líder de hoje encarar sua função. O líder de 10 anos atrás não era bem um líder, era mais um chefe. Queria ser obedecido, era quem dava a última palavra, definia o que, como e quando a tarefa seria realizada. O líder de hoje sabe que tem que trabalhar em grupo com seu pessoal, que estes devem participar das definições da tarefa que irão executar e sabe também que, em determinadas situações, um subordinado é quem poderá estar liderando a equipe. E isso não o deixa se sentir diminuído, ao contrário, pois ele sabe que sua principal missão é formar novos líderes.

Ele deixou de ser o chefe para ser, verdadeiramente, um líder.

 

Pós Estácio – As mudanças de liderar hoje em dia tem alguma ligação com a Geração X e Geração Y? Se sim, por que?

Gasparetto

A geração Y tem características específicas bem diferentes da geração anterior, chamada de Geração X. Até a geração X as mudanças nas características das gerações eram pequenas, mais ou menos fáceis de serem absorvidas. Mas da geração X para a Geração Y as mudanças foram radicais, graças principalmente à tecnologia.

Por isso,  temos em algumas empresas uma verdadeira “luta de gerações”, pois normalmente os colaboradores da Geração Y são “chefiados” por alguém da Geração X. E este não se acostuma com algumas das características da Geração Y ou da maneira como eles de comportam.

E isso tem causado alguns problemas, como por exemplo, o alto turnover entre colaboradores da Geração Y, que não aguentam a maneira como são “liderados” por um chefe que é da geração X e que não consegue entender a geração Y.

 

Pós Estácio – Na sua visão, o que um líder precisa ter para uma liderança de sucesso nos dias de hoje?

Gasparetto

Principalmente Ética, também precisa respeitar as diferenças individuais e saber que as pessoas são diferentes e que isso é até bom para que os problemas sejam resolvidos com mais eficácia.

E precisa entender que seu papel é de liderar e não de chefiar, que é indicar caminhos para o desenvolvimento pessoal dos liderados, é fazê-los experimentar novos caminhos, desenvolver a criatividade, enfim, desafiá-los constantemente.